Esquadrão Suicida: não é o Coringa que você está procurando.

Está vendo esse Coringa? Lembra dos trejeitos assustadores e fascinantes dele? Da famosa cena onde ele encontra os chefes do crime? Suas diferentes e macabras origens? Da sua bem construída loucura? Não tem nada vagamente próximo disso no Esquadrão Suicida.

Eu admito que sentei para assistir o filme sem qualquer expectativa. Eu sou um sobrevivente de Batman v Superman e estava determinado a não ter o meu coração nerd partido novamente. (Não que algum personagem de Esquadrão Suicida seja relevante o suficiente para partir o coração do nerd médio. E eu digo isso porque o Coringa, que poderia preencher o quesito, é uma xerox da xerox da xerox da pior versão dos quadrinhos.)

Fico muito feliz em dizer que meu coração nerd não foi partido. Isso posto, o filme ainda conseguiu a proeza de me decepcionar. O filme me deixou depcionado com a minha decisão de sair de casa naquela noite e me submeter a um filme cuja única qualidade é ser mais curto que Batman v Superman.

Para falar de Esquadrão Suicida, precisamos primeiro lembrar que a Warner entrou em pânico depois das reações iniciais ao Batman v Superman e mandou o David Ayer voltar para o set de filmagem e tentar “aliviar o tom.” Como, exatamente, nunca saberemos. O filme mais leve que Ayer fez na sua carreira foi Velozes e Furiosos 1. O que o diretor produziu foi um filme esquizofrênico que começa como um comercial da MTV da década de 90 e termina como um dos péssimos filmes de Cavaleiros do Zodíaco, só que sem o contexto de dezenas de episódios para estabelecer a relação entre os personagens.

“Mas tem o Coringa,” vocês vão me dizer. “E o Batman!”

Vamos lembrar que esse Batman é o mesmo psico-Batman que tentou assassinar o Superman sem um motivo claro e que interrompeu a batalha porque as mães dos dois tinham o mesmo nome. (E que se submeteu a ser garoto propaganda do Jeep Renegade logo no começo do filme.) Ficar empolgado com esse Batman é como desejar que o Val Kilmer tente se vestir de morcego de novo.

E o Coringa? Ah, o Coringa. Olhem bem para aquela foto lá em cima. Heath Ledger era um gênio e entregou a melhor leitura do personagem desde O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller. Ele criou um personagem complexo e perigoso, que equilibrava carisma, loucura e obsessão perfeitamente. Jared Leto, por outro lado, entendeu que o Coringa é um crimoso violento, abusivo, previsível e obsecado por uma mulher. Pode-se argumentar que o filme apresenta o ponto de vista da Arlequina e que é assim que ela percebe o personagem. Isso dito, é a apresentação do personagem no universo cinematográfico da DC e a forma como ela é feita é, no mínimo, desastrosa.

Os outros personagens do filme são igualmente terríveis. O Pistoleiro, interpretado por Will Smith, é um criminoso apenas porque o enredo empurra o conceito goela abaixo do público. Todas as suas atitudes ao longo do filme (inclusive dos flashbacks) são típicas de heróis, incluindo a sua motivação-mor: passar tempo com sua filha pequena. A Arlequina de Margot Robbie sofre de síndrome de Estocolmo, é hipersexualizada e passa o filme todo repetindo (com uma voz de criança) que ela e os outros personagens são “vilões, claro.” Viola Davis é terrivelmente desperdiçada numa personagem que claramente sofre de paralisia facial. E eu adoraria falar sobre os outros personagens, mas eles são um grande borrão na minha mente. São tão marcantes que eu não consigo lembrar quantos eram.

O resumo? É um filme que sequer pode ser chamado de medíocre: ele é abaixo da média, entediante, com uma estética visual desagradável e enredo pobre. Um sucessor digno da qualidade de Batman v Superman.

Ficha

Título: Esquadrão Suicida (Suicide Squad)

Nota do Sr Chato: 3/10

Potencial Comercial: 6/10

Dados Técnicos: EUA / 2016 / 123 minutos / Warner

Gênero: Ação e aventura, super-herói

Direção: David Ayer

Roteiro: David Ayer

Estrelas: Will Smith, Margot Robbie, Viola Davis

Comparáveis: Batman v Superman, Quarteto Fantástico (2015)

Por que assistir: Parte do novo universo cinematográfico da DC. Não que isso seja um grande mérito. E curiosidade mórbida.

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