Jack Reacher: Sem Retorno… Para o tempo perdido.

Em respeito à sensação de perda de tempo que esse filme me proporcionou, vou antecipar o resumo aqui em cima: se você tem algo melhor para fazer (como ter um breve coma de duas horas), sugiro isso ao tédio que é Jack Reacher 2.

Ainda por aqui? Mesmo? Muito bem. Eu assisti Jack Reacher: Sem Retorno para que você não precisasse perder seu tempo com isso. O filme é um tédio. Um tédio num grau raramente encontrado no cinema mundial.

Jack Reacher, ao contrário da crença popular, não começou com o também medíocre Jack Reacher 1. Ele é um personagem de Lee Child, um autor prolífico que lança pelo menos um livro novo da série por ano. Já soma 21 livros publicados. Um feito respeitável. Eu li apenas um dos livros e achei mediano: uma leitura razoável para aquela espera de seis horas num avião. Na sua origem, o personagem é um homem de poucas palavras, honra sem igual e extremamente eficaz com os punhos. Ele age como um andarilho que resolve os problemas com que cruza. E faz tudo isso sem se permitir fazer parte “do sistema”: não tem telefone, roupas, malas ou veículos. Viaja de ônibus, compra as roupas que veste (e joga as que usou no lixo) e vive de forma espartana. É um homem que não tem lugar no mundo e com valores que não se encaixam na era que habita. Não é o mais original dos personagens mas, convenhamos, tem seu apelo.

Tom Cruise não faz jus ao personagem. E eu não estou falando da estatura física (Jack Reacher tem 1,96m, 100 kg de músculo e um tórax com 130cm de largura. Tom Cruise… Bom, Tom Cruise é menor).

A premissa do filme é que ele quer conhecer a oficial do exército que o ajuda remotamente nas suas aventuras especificamente porque quer dormir com ela. Sério. Ele admite isso em dado ponto do filme. Aquele andarilho sem destino e sem laços? Esqueça. O Jack Reacher de Tom Cruise curte um flerte por telefone e foi até Washington para dar umazinha com uma mulher que nunca viu e pouco conversou. O puritano entre vocês vai argumentar que o livro original tem o mesmo enredo. Eu responderei que o livro é o décimo-nono da saga, já tem uma relação entre Reacher e Susan estabelecida e, portanto, tem alguma base para esse encontro. O filme nos oferece uma montagem de 2 minutos. 

Mas vamos fingir, ainda que momentaneamente, que nada disso te fez desligar a televisão. Porque eu me recuso a contemplar o desperdício para a economia mundial que seria gastar uma nota de mico, pelo menos, para assistir essa perda de tempo. Quando conhecemos a oficial (major, acho?) que Jack tele-curtiu, descobrimos que Cobie Smulders (e o diretor do filme, Edward Zwick) não se importou o suficiente com o filme para falar com um sotaque americano. Ela mandou o canadense nativo dela para a tela (apesar a da personagem dela ser, supostamente, americana) com todo o entusiasmo de alguém que estava batendo ponto e recolhendo o seu salário. O próprio Cruise parecia não acreditar na merda que estava filmando de tempos em tempos. E olha que o Tom Cruise tem uma tolerância altíssima para filmar lixo.

Ainda aqui?

O enredo do filme começa a andar quando Reacher chega para seu date e encontra um homem de meia-idade na mesa da sua paquera. A sua futura possível one night stand foi presa por algum motivo vago e ele imediatamente conclui que se trata de uma conspiração. E decide salvá-la, claro. Porque a oficial de trinta anos que chegou a uma das patentes mais altas do exército americano claramente precisa da ajuda de um brutamontes que vaga pelo país sem sequer ter uma muda de cueca.

E aí? Acredita em mim? Não?

Além de tudo isso, temos o vilão extremamente competente que se torna um paspalho descontrolado conforme o filme avança e, claro, a adolescente birrenta que, supostamente, é filha de Jack Reacher. Isso é parte do enredo do livro, sim. Mas, meu deus, como essa adolescente é irritante. E como a atriz que a interpreta é irritante. A quantidade de clichês, traços irritantes e afins é tão enorme que eu me surpreendi quando ela não se apresentou com o nome de “Mary Sue”.

Eu poderia continuar falando dos inúmeros problemas do filme (a montagem, a estrutura do roteiro, a atuação, a trilha…) mas, francamente, já gastei tempo demais com esse desperdício de película. Se, mesmo depois de tudo isso, você ainda quiser ver o filme, só tenho uma última coisa para falar: eu avisei.


Ficha

Título: Jack Reacher: Sem Retorno (Jack Reacher: Never Go Back)

Nota do Sr Chato: 1/10

Potencial Comercial: 5/10

Dados Técnicos: EUA / 2016 / 118 minutos / Paramount

Gênero: Ação e aventura, crime

Direção: Edward Zwick

Roteiro: Edward Zwick, Richard Wenk

Estrelas: Tom Cruise, Cobie Smulders

Comparáveis: Jack Reacher 1, Missão: Impossível 2, ver a grama crescer.

Por que assistir: Amor pelo personagem, falta de amor próprio.

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