Bridget Jones e a qualidade decrescente

O primeiro filme da Bridget Jones foi um prazer de assistir. Divertido, animado, relativamente surpreendente. O segundo filme foi… sobre algo. Honestamente não lembro. Foi ruim assim. O terceiro filme é mais parecido com o terceiro que com o primeiro, infelizmente. Tem toda a cara daquele filme que esqueceremos em algumas semanas e que só será recordado na sessão da tarde ou em uma promoção de box colecionável da Bridget Jones, quando diremos: “É mesmo… tinha um terceiro filme”.

Renée Zellweger é o ponto alto do filme, claro. Ela incorpora a personagem com facilidade e entrega uma performance convincente de uma mulher encarando a passagem dos anos e o que isso significa para sua vida. E, surpreendentemente, ela o faz com leveza e graça: não temos o tradicional desespero que Hollywood gosta de associar à passagem dos anos. Vemos uma mulher que conseguiu colocar sua vida em relativa ordem (um emprego estável, menos vícios) e que, sem quere, engravida de um de dois possíveis candidatos depois de um fim-de-semana emocionalmente turbulento.

A primeira crítica que tenho é a introdução do novo terceiro ângulo do triângulo amoroso da personagem e da remoção do personagem de Hugh Grant. Tem toda a a cara de um problema de negociação de contrato e quebra um pouco o arco dos personagens. O novo concorrente do personagem de Collin Firth é mal construído, mal escrito e, francamente, beira o absurdo. O tradicional “Mary Sue”. Rico, atraente, romântico, bem intencionado, nobre… Deixa uma saudade louca da ridícula briga entre Hugh Grant e Collin Firth no primeiro filme.

A narrativa força o espectador a aceitar alguns fatos quase impossíveis. É difícil de acreditar que alguém que chegou ao patamar profissional que Bridget chegou fosse cometer as gafes que ela comete. Uma cena em particular, ela substitui as perguntas que sua amiga, uma jornalista, faria a um convidado num programa ao vivo por um questionamento para determinar se ele poderia ser um bom pai. É uma daquelas cenas que dá uma vontade louca de fechar os olhos para evitar a vergonha alheia. 

Outra perda visível do filme é a trilha sonora. A trilha do primeiro filme era marcante. Ainda a considero uma das melhores trilhas de filme até hoje. Eu não lembro de absolutamente nada da música do novo filme — exceto da participação de Ed Sheeran, que entra como uma gag absurda no filme.

No geral, é o tipo de filme que não será incômodo de ver se estiver passando na televisão mas não merece o esforço de uma ida ao cinema ou mesmo o gasto de um aluguel. 

Ficha

Título: O bebê de Bridget Jones (Bridget Jones’s Baby)

Nota do Sr Chato: 4/10

Potencial Comercial: 7/10

Dados Técnicos: Inglaterra / 2016 / 123 minutos / Universal

Gênero: Comédia romântica

Direção: Sharon Maguire

Roteiro: Helen Fielding, Dan Mazer

Estrelas: Renée Zellweger, Gemma Jones, Jim Broadbent

Comparáveis: O diário de Bridget Jones

Por que assistir: Vale o esforço se você for um(a) fã incondicional da personagem.

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