Rogue One: Uma diversão Star Wars

A primeira coisa que tenho que contar para vocês é a importância que os filmes de Star Wars têm para mim. Uma Nova Esperança e O Império Contra-Ataca estão entre dois dos meus filmes favoritos e eu literalmente chorei quando o texto introdutório de O Despertar da Força rolou pelas estrelas na tela de cinema. Eu devo ter jogado quase todos os games relacionados a Star Wars já lançados, enterrei horas da minha vida no RPG de mesa (o da West End) da franquia e carrego pelo menos um ícone da franquia comigo o tempo todo. Eu li mais de uma dezena dos livros do Universo Expandido e conheço Mara Jade, Corran Horn, Ben Skywalker, Jaina e Jacen Solo tão bem quanto os protagonistas da série original. Eu sou um desses fãs.

Com essa chocante revelação feita para o mundo, vamos ao novo filme. Com spoilers leves.

Rogue One: Uma história Star Wars se posiciona desde o princípio como um novo tipo de filme da franquia. Em primeiro lugar, não temos o texto que corre no início do filme: somos lançados na história sem a tradicional contextualização. O cartão-título do filme apresenta o nome inteiro e não apenas Star Wars. Finalmente, o filme parte do pressuposto que alguns dos conceitos já são conhecidos pelos espectadores: é um filme que expande a narrativa mas se posiciona claramente como não-essencial. Talvez até, eu diria, como opcional. E a narrativa deixa o motivo muito claro: é uma história mais violenta, mais séria e voltada para um público mais adulto. É um filme que a Disney e a Lucasfilms produziram para os fãs da série, para quem quer apreciar o universo além dos heróis infalíveis, sua moral maniqueísta e narrativa adequada para todas as idades.

O filme entrega isso. É um filme de qualidade, forte, marcante e com uma narrativa clara e que termina literalmente momentos antes do início de Uma Nova Esperança. Claro, todos que estão lendo isso conseguem enxergar o “mas” que está na ponta dos meus dedos. E, infelizmente, o “mas” realmente existe. De verdade.

O filme tem defeitos. O ritmo da sua narrativa parece mais as três prequelas que a trilogia clássica de Star Wars (o que explica a opinião positiva de George Lucas sobre o longa-metragem). A primeira metade do filme pula de um lado para o outro freneticamente apresentando personagens, conceitos, justificativas e planetas. Algumas introduções são boas — como a de Cassian Andor (interpretado por Diego Luna), a de Chirrut e Baze (Donnie Yen e Wen Jiang) ou a de K-2SO (com a excelente voz de Alan Tudyk, nosso eterno Washburne). Outras, como da protagonista Jyn (Felicity Jones), seu pai Galen (Mads Mikkelsen) ou seu amigo Saw (Forest Whitaker) deixam a desejar. O filme muda completamente mais ou menos na metade, quando se estabelece como um filme de guerra e caminha para sua conclusão. Infelizmente, a comparação mais próxima que tenho dessa estrutura não é favorável. Mas a situação toda não é tão grave nesse filme… Só incomoda um pouco.

Existe um problema nos personagens. Felicity Jones não convence como uma forte militar, Chirrut e Baze têm um papel periférico na trama e poderiam tranquilamente ser removidos. O próprio Cassian tem uma mudança de personalidade que acontece um pouco antes do que faria sentido de verdade. A maioria das motivações são superficiais e os arcos dos personagens são mal desenvolvidos. Não, claro, que isso seja inédito em Star Wars.

Além disso, temos dois personagens “ressuscitados” digitalmente no filme. E são uma aberração. Nível O Expresso Polar. Tarkin se mexe de forma estranha, não tem peso e parece feito de cera. As cenas que ele “participa” são desconfortáveis. Julguem a segunda por si mesmos. A participação de Darth Vader no meio do filme é um pouco desnecessária. Mostra uma vulnerabilidade dele (num tanque de bacta, sem armadura, pálido e indefeso) que é absolutamente contraditória com a imagem imponente que ele oferece no final. Funciona como fan service mas trabalha contra a narrativa do filme e desmerece o personagem para quem só tiver visto Uma Nova Esperança e O Império Contra-Ataca.

A trilha sonora do filme é terrível. As músicas são bem compostas, claro, mas sua utilização é desastrada e impositiva. Sempre temos uma música pesada tocando no fundo e tentando suprir as cenas com emoções de forma pouco sutil. É como tentar assistir ao filme enquanto um álbum de metal orquestrado toca no fundo. Alto. Pesado. Ocupando metade da sua atenção. A Senhora Chata saiu com uma dor-de-cabeça homérica e mais emputecida que o Chewbacca depois da morte do Han Solo.

“Mas Sr Chato,” vocês colocam, “você gostou do filme?”

Sim. Como eu disse antes, é um filme bom. Ele atende ao fã. E eu sou um fã. Daqueles que vai em convenções, sabe frases de cabeça, tem um lightsaber em casa e miniaturas de Stormtroopers. O filme tocou no meu coração daquele jeitinho especial que só uma vitória crucial da Rebelião sobre o Império consegue.

“Mas você tá metendo o pau no filme!”

Sim. O filme não é perfeito. É um bom filme mas não é uma obra-prima. É um filme divertido. Entretenimento. Muito do sucesso do filme se apoia no fato de ser parte de uma das franquias mais amadas de todos os tempos. Muitas pessoas que assistirem ao filme sem conhecer o resto da franquia vão se decepcionar. Ou não, na verdade, porque a segunda metade do filme é muito bem filmada e executada e distancia o espectador do começo desastrado. Mas a conclusão bem feita não redime o filme por completo.

Ficha

Título: Rogue One: Uma história Star Wars (Rogue One: A Star Wars Story)

Nota do Sr Chato: 7/10

Potencial Comercial: 10/10

Dados Técnicos: EUA / 2016 / 134 minutos / Disney

Gênero: Ação, ficção científica

Direção: Gareth Edwards

Roteiro: Chris Weitz, Tony Gilroy

Estrelas: Felicity Jones, Diego Luna, Alan Tudyk

Comparáveis: Outros Star Wars. Um pouco de Star Trek (2009).

Por que assistir: Parte da franquia Star Wars. Isso já é motivo suficiente.

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