Sing: um bolo que desandou. 

Sabe quando você está fazendo um bolo e não dá certo? Todos os ingredientes estavam lá, parecia lindo na receita daquele livro de culinária de algum chef inglês mas o resultado que saiu do seu forno é decepcionante?

É Sing.

Eu amo musicais. Acho que eles representam um absurdo cinematográfico que é quase incomparável. Algo em narrativas que encaixam performances na sua história ou usam as canções para apresentar um sentimento íntimo dos personagens me encanta. É algo que não se vê na vida real mas que tem uma beleza e pureza que não se vê por aí. 

Sing, sendo um musical, largou na frente. Eu fui assistir o filme predisposto a gostar. A estética também me lembrou Zootopia, que foi um dos meus filmes favoritos de 2016. O elenco tem mais Oscars que Titanic. Mas simplesmente não foi o suficiente. As músicas de quase todo o filme são incompletas e quase mecânicas. O absurdo do convívio de um rato com um elefante e uma girafa é ignorado, sem explorar (nem minimamente) como uma sociedade se adaptaria a biotipos tão diferentes. Um dos personagens, um rato, dirige um carro humano em dada cena, algo que simplesmente não faz sentido. Mas eu estou apenas circulando o principal problema do filme como um tubarão circulando a Blake Lively em alto mar. 

O filme tem um roteiro pobre. 

Existe uma história, claro. Mas nós somos apresentados a pelo menos seis protagonistas (o coala, a porca, a porca-espinho, o rato, o gorila e a elefante), todos com propostas de problemas bem definidos… e nenhum é claramente desenvolvido. Exceto, talvez, o arco do coala e da elefante. O rato canta no clímax porque ficou com inveja do sucesso dos outros e não porque sua personalidade evoluiu. A porca tem uma relação com a família que simplesmente não se resolve: ela não confronta seu marido ausente e não sabemos se o beijo deles no final simboliza alguma mudança. A porca-espinho deixa seu namorado abusivo porque ele a troca por outra e não porque ela passou a se valorizar. O gorila não confronta seu pai criminoso em momento algum: o progenitor tem uma mudança radical de personalidade nos últimos cinco minutos de filme porque viu seu filho na televisão. Em suma: todos os problemas erguidos ao longo do fime são milagrosamente solucionados (ou deixados de lado) com um show de cinco minutos. 

Francamente, nem Glee era tão vazio na sua narrativa. Mesmo que você assista Sing pela trilha ou espetáculo, é provável que a sua boa vontade não sobreviva à pobreza do enredo. 

Um ponto alto no filme é a atuação de voz de Matthew McConaughey. Eu só reconheci sua voz (encarnando o coala Moon) no final do segundo ato, depois que o seu teatro foi destruído. 

As músicas são divertidas, apesar de nenhuma ser tocada do começo ao fim até o final do filme. Como filme, Sing é uma ótima trilha sonora. 

Isso tudo dito, o filme é bonito de se olhar. A animação é agradável, os designs de personagens são bons. Um bom filme para crianças pequenas ou para alguém que só queira ruído de fundo enquanto faz outra coisa. Dificilmente algo para se ver no cinema. 

Ficha

Título: Sing: Quem Canta Seus Males Espanta (Sing)

Nota do Sr Chato: 4/10

Potencial Comercial: 6/10

Dados Técnicos: EUA / 2016 / 108 minutos / Universal

Gênero: Animação, infantil, musical

Direção: Garth Jennings

Roteiro: Garth Jennings

Estrelas: Matthew McConaughey, Reese Witherspoon

Comparáveis: Glee, A Escolha Perfeita

Por que assistir: Pela trilha. E se você for fã da Illumination. E olhe lá. 

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